Nota de desocupação da Ufal – Campus Sertão

Nós, estudantes em luta da UFAL – Campus do Sertão, decidimos em assembleia realizada em 14 de dezembro de 2016, que desocuparíamos na quarta-feira, 21 de dezembro de 2016, por entendermos que a estratégia para a construção da luta precisa de novos rumos, novas táticas para combater todos os retrocessos nesta atual conjuntura e reforçar encaminhamentos em prol de uma sociedade justa. Na última semana, priorizamos a manutenção do campus e construção do calendário de lutas para o próximo ano.

Foram 64 dias de muita luta e resistência. Nesse período, nos unimos às milhares de ocupações em todo o território nacional, fortalecendo e ampliando o poder de enfrentamento aos ataques que o governo promoveu contra os direitos dos trabalhadores, conquistados historicamente com suor e sangue.

O Sertão reafirma seu histórico de luta. As ocupações: UFAL – Campus do Sertão; IFBA – Paulo Afonso; IFAL – Santana do Ipanema; IFAL – Batalha; IFAL – Piranhas; UNEAL – Santana do Ipanema; Escola Estadual Monsenhor Sebastião Alves Bezerra – Água Branca; Escola Estadual Domingos Moeda – Água Branca; Escola Estadual Luiz Augusto Azevedo de Menezes – Delmiro Gouveia; Escola Estadual Xingó I – Piranhas e Escola Estadual de Educação Básica de Pariconha, mostraram que a luta organizada e a solidariedade de classe são caminhos para barrar a retirada de direitos.

A nossa ocupação teve início em 19 de outubro de 2016 às 23h00, motivada principalmente contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, depois chamada de PEC 55, aprovada na Câmara, no Senado e legitimada pelo Supremo, que acarretará no sucateamento do sistema público de saúde, educação e assistência social.

Nossa luta é contra a retirada de direitos representada pelas reformas da Previdência, do Ensino Médio, Trabalhista, entre outras e não se limita à ocupação de escolas, institutos federais e universidades. Nesse sentido, julgamos necessárias uma reformulação e uma intensificação das estratégias de luta contra tais medidas.

Por mais de dois meses lutamos e resistimos. Nós, companheiras e companheiros, não nos retiramos da luta um instante sequer. Por vezes, enfrentamos momentos de tensão e pressão externa, no entanto, soubemos lidar com maturidade para contornar tais situações. Continuaremos mobilizados buscando fortalecer cada vez mais o movimento estudantil no Sertão.

Agradecemos aos demais movimentos sociais, sindicatos, associações, comunidades quilombolas e comunidades indígenas, estudantes secundaristas, feirantes, comerciantes, professores e todos que contribuíram direta ou indiretamente.

Delmiro Gouveia – AL, 21 de dezembro de 2016

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