CPT faz homenagem à irmã Lúcia republicando entrevista

A Irmã Lúcia Nazarena Missio, da congregação Filhas do Sagrado Coração de Jesus, faleceu no dia 11 de janeiro de 2017. A coordenação da CPT de Alagoas, comovida com sua páscoa definitiva, ressalta a importância da missionária junto aos empobrecidos e seu compromisso com o evangelho libertador de Jesus de Nazaré.

Ir. Nazarena iniciou sua vida religiosa em 1946. Trabalhou como professora em Colégios no Rio Grande do Sul – sua terra natal – durante 20 anos e chegou em Alagoas na década de 1970. Na ocasião, o Arcebispo da época, Dom Adelmo Machado, convidou a congregação Sagrado Coração de Jesus para a missão de evangelizar o povo da área norte do Estado. Na década de 1990, a religiosa foi para Bahia, e depois, retornou à Maceió.

A CPT Alagoas, em sua homenagem, publica abaixo uma entrevista concedia pela irmã em 2008 para o Jornal Caminho da Roça, imortalizando sua contribuição aos oprimidos.

CPT – Como a senhora se interessou pela causa dos pobres, dos oprimidos?

Ir. – Sempre tive muito carinho pelos negros. Quando percebi que Deus me chamava para a vida religiosa, a primeira coisa que eu falei para meus superiores era que eu queria ser missionária na África. Depois, quando foi aceita a missão aqui no nordeste, mandaram uma lista para as irmãs que queriam se inscrever pra essa vida missionária. Eu sempre quis ser missionária para trabalhar na base, então vim para o nordeste.

CPT – Quantas missionárias vieram para Maceió? Foram essas irmãs que fundaram a Congregação na cidade?

Ir. – Nós chegamos em 4 missionárias em Alagoas, para começar a evangelizarão na área norte. Mas depois teve toda uma divulgação, chegaram outras irmãs, já são 38 anos. Hoje já somos província no nordeste.

CPT – Como iniciou a missão com os oprimidos?

Ir. – Começamos a missão na área norte. Mas a gente tinha muito contato aqui em Maceió porque nós assumimos também a orientação interna do Concílio de Cristandade, então iniciamos o trabalho com a periferia.

CPT – Qual era o público?

Ir. – Nós começamos com as mulheres que faziam o Concílio de Cristandade. Colaborávamos com a espiritualidade, isso inclui retiros, encontros etc. E a gente fez com que a palavra de Deus se voltasse para a realidade de Maceió, já que na periferia não tinha um trabalho como esse. A história é muito comprida, mas começou assim, aos poucos atingindo a base, preparando agentes missionários.

CPT – Como se aproximou da luta do povo do campo?

Ir. Na Bahia, nós assumimos a missão de Tanquinho, que fica a 40km de Feira de Santana. Ali tinha Padres missionários italianos que trabalharam no campo, com a Pastoral Rural. Lá havia problemas sérios, então nos associamos à Pastoral da cidade de Paulo Afonso para fazer todas as reivindicações juntos aos trabalhadores rurais. Era luta de reforma agrária, de ocupação de terras que os fazendeiros não deixavam plantar. Depois nós assumimos uma missão em Canudos, aí é outra história linda.

CPT – Como era o trabalho em Canudos?

Ir. – Trabalhávamos naquela questão da seca, com problemas sérios de falta de água. Foi um trabalho de base belíssimo. Fazíamos trabalhos de evangelização e projetos, construção de cisternas, luta para que o povo tivesse recursos para viver dignamente.

CPT – Como a senhora enxerga a CPT?

Ir. – Eu vejo a CPT como algo muito bom. Minha opinião é que é muito importante e atuante em Alagoas. A CPT é uma Pastoral, então é a palavra de Deus que deve ser vivida nos grupos. A CPT é aquela semente de transformação porque a palavra de Deus deve ser vida para eles.

CPT – Em sua opinião, como a CPT deve atuar?

Ir – A CPT deve dar a força para a luta, estimular o protagonismo. Mas para ser protagonista é preciso desenvolver valores nas pessoas.

CPT – Hoje, que a senhora mora no Recanto Sagrado Coração de Jesus, qual seu trabalho?

Ir. – Fazem dois anos que estou aqui, mas eu vim aqui por causa da minha saúde. Aqui eu trabalho na Pastoral da Sobriedade, e agora estamos com a Pastoral da Família, atingindo a terceira idade. Já estamos há 2 anos preparando as articuladoras, porque através dos idosos nós chegamos à família, principalmente àquelas que têm problemas com as drogas. A Pastoral da pessoa idosa estudou os valores da pessoa humana. Quais valores? Todos. Os valores espirituais, sociais, religiosos, psicológicos. Com isso estamos contribuindo para que haja mais vida na sociedade, para que haja menos violência.

Fonte: CPT/Alagoas

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