#QueremosRespeito: Uma Alagoana contra as mulheres?

Movimento Olba Benário

Esse protesto surgiu depois que uma frequentadora do Alagoana Bar e Botequim reclamou de frases machistas que estão estampadas nas paredes. Ela pediu na página do FAcebook que a gerência tomasse uma providência, mas não teve resposta. Muitas pessoas compartilharam e reclamaram e foram agredidas verbalmente nas respostas com termos como “vadias”, “mal-amadas”, “feias”, entre outros que são usados contra as mulheres que ousam protestar. A maioria dos comentários não era de clientes do bar, mas de grupos que disseminam ódio nas redes sociais;

Estamos aqui para denunciar uma rotina ignorada em todos os bares de Maceió, onde frequentemente acontecem denúncias de assédio a mulheres ou grupos de mulheres que apenas querem se divertir. Não queremos provocar confrontos, mas alertar para as consequências das, aparentemente, “brincadeiras” machistas, que reforçam a discriminação e o discurso de ódio!

Queremos expressar nosso total repúdio ao ato machista, disfarçado de propaganda, presente no Alagoana Bar e Botequim. Nosso estado possui altos índices de violência contra a mulher, somos constantemente vítimas de preconceito, assédio e machismo, e por tudo isso a luta das mulheres se faz tão necessária.

Isso é por todas!

Essa não é uma luta de mulheres contra homens, não é uma luta contra o bar, mas uma exigência de respeito às mulheres. Nossa luta é diária, contra quaisquer tentativas e formas de nos humilhar, desvalorizar, ridicularizar e violentar.

A vinculação da mensagem “Cuidado nosso chopp contém hormônios femininos, quanto mais se bebe, mais se fala besteira”, representa não só um ataque às mulheres, mas reforça todo estereótipo reproduzido através das propagandas de cervejas e da mercantilização dos nossos corpos.

Se as mulheres apenas falam besteiras, as suas reclamações contra os abusos, humilhações e violências passam a ser desconsideradas, o que na verdade representa uma tentativa de justificar essas ações e comportamentos.

Nós mulheres vamos aos bares, com amigas e amigos, familiares, companheiras e companheiros, ou mesmo sozinhas, e buscamos apenas encontrar um ambiente que nos respeite, sem nenhum tipo de preconceito ou machismo, respaldando a lógica que violenta e mata mulheres todos os dias por uma dita inferioridade.

Convocamos as mulheres de Maceió a dizer não a esse tipo de “publicidade”, e não vamos nos calar diante de nenhum tipo de violência. A nossa luta é todo dia, somos mulheres e não mercadoria!

As reflexões sobre a chacina de Campinas

A tragédia em Campinas apenas escancarou de forma dramática e trágica o que estamos querendo alertar! Quando insistimos em mudança de comportamento, em não alimentar brincadeiras e ideias machistas, em educar os meninos à respeitarem a autonomia das mulheres, é para evitar que tragédias aconteçam por conta de uma cultura patriarcal que faz de todas e todos vítimas da incapacidade de respeitar a liberdade do outro.

Agora, pensem: quem está disseminando esse discurso de ódio? Quem diz que as feministas são “vadias”? Quem, ideologicamente, puxou o gatilho na cabeça do assassino? Entendam de uma vez: isso não é piada de parede de bar, isso não é uma chatice de quem não tem o que fazer. O machismo está matando pessoas todos os dias!

Estamos aqui pelas Joanas (Joana Mendes foi morta pelo marido e o corpo foi encontrado dentro do carro, no dia 5 de outubro de 2016, no conjunto Santo Eduardo, em Maceió), pelas Isamaras ( Isamara Filier foi morta pelo ex-marido, Sidnei Ramis, durante o reveillon deste ano) e por todas as mulheres vítimas do machismo e da misoginia.

Vamos construir uma cultura de paz, onde todos e todas possam ser respeitadas e respeitados. Desarme-se do seu ódio e do seu machismo!

Anúncios

2 comentários em “#QueremosRespeito: Uma Alagoana contra as mulheres?

  1. A indignação nos movimenta nos une Não nos separa . Quem não tá nem aí tudo bem fazer o que ? Vivemos de escolhas e são essas escolhas Que nos direciona a sermos quem somos . Nós escolhemos pela luta contra o machismo exacerbado porém para quem não tá nem aí para o SER é normal no entendimento de quem conceitua a normalidade.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s