Firme no leme, contra o golpe!

Ricardo Gebrim

A característica de nossa classe dominante em antecipar saídas políticas ante às crises, ressaltada por Florestan Fernandes, e comprovada em diversos episódios históricos, inúmeras vezes, combinou-se com o apelo a “governos de conciliação nacional”.

Desmascarar essas armadilhas representou uma das páginas mais importantes de nosso processo histórico, reafirmando lideranças e organizações políticas pela sua firmeza e intransigência. Recordemos o papel cumprido pelo então governador gaúcho Leonel Brizola, que enfrentou vitoriosamente a saída conciliatória do parlamentarismo. Ou a importância de o PT permanecer firme, sustentando a bandeira das “Diretas já”, quando parcelas da esquerda e importantes frações burguesas lançaram o “Tancredo já”.

No momento em que a recessão começa a bater no topo, quando a imensa maioria dos economistas, das mais diversas tendências, sinaliza um 2017 com agravamento dos impactos sociais da crise e não se vislumbra nenhuma medida salvadora de médio prazo, buscar uma “conciliação nacional” tem um forte apelo para as forças econômicas que patrocinaram o golpe.

A hipótese Nelson Jobim

Avançam as conspirações envolvendo setores importantes da burguesia para afastar Temer pelo caminho mais rápido possível e substituí-lo através de eleições indiretas. Por ora, a sombria arquitetura desta trama conspiratória aponta para o nome do ex-ministro Nelson Jobim. Atual conselheiro de um banco, fortemente vinculado com o capital financeiro, filiado ao PMDB, sua passagem pelo STF e Ministério da Defesa lhe proporcionam a interlocução importante com instituições decisivas. Seu nome preenche melhor a moldura fática de um “salvador da pátria”, capaz de encabeçar o que uma campanha midiática qualificará como um governo de conciliação nacional.

Por enquanto é apenas uma hipótese. Mas ela ganha força pelas esparsas notícias das articulações palacianas e corresponde ao padrão histórico de nossa classe dominante. São complexos os desafios para que essa proposta se consolide: “convencer” Temer de que precisa renunciar, para evitar o desgaste econômico de outra forma de afastamento, compor os interesses dos vários interlocutores políticos, lidar com o estamento jurídico burocrático do “Partido Lava Jato”.

Elo frágil

Porém, o desafio mais complexo que enfrentam neste “golpe dentro do golpe” é inabilitar Lula. Este é o elo frágil deles. Tanto pela fragilidade jurídica das acusações, quanto pela necessidade de cumprir prazos processuais. Mas, principalmente, pelo inevitável desgaste de realizar eleições presidenciais diretas em 2018, afastando arbitrariamente o principal candidato de oposição ao golpe. Concluir esse plano sem reforçar a narrativa de um golpe é uma tarefa difícil.

Caso viabilizem o afastamento de Temer e sua substituição por eleições indiretas, conclamando um “governo de conciliação nacional”, as forças populares e de esquerda enfrentarão um novo e decisivo teste histórico que não admite vacilações. Enfrentar essa possível e provável tática golpista, preservando a unidade e combatividade será o principal desafio da Frente Brasil Popular.

Fonte: Brasil de Fato

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