N`agulha: Última edição da festa de rap que ‘deu certo’ em Maceió

O clima era o de celebração e a sensação de dever cumprido por parte dos integrantes da produtora alagoana Nois Q Faiz. Durante dois anos — sempre no Quintal Cultural — o N´agulha abrigou grupos de rap, mcs, teve o microfone aberto para quem quisesse mandar um som e cedeu espaço para cultura de rua periférica na cidade.

Na última edição que aconteceu no último sábado (17), a festa contou com a já conhecida Batalha Marginal de Freestyle, mutirão de arte de rua e a apresentação dos grupos: Fúria Jovem, Laff, CLBeats, além do lançamento da terceira edição da Coletânea do Stúdio QG Dus Manos, tudo isso sendo comandado pelos Djs: Bactéria e Afrojay.

Enquanto o público ia chegando e sentindo a energia do espaço, as minas do grupo Fúria Jovem, de Marechal Deodoro (AL), mandavam seu som. Um rap com letras fortes, sempre prezando pela informação e a reafirmação de que o Rap também é espaço para as mulheres.

Logo em seguida, quem assumiu o comando foi o Laff, rapper que vem somando parcerias dentro do cenário local e sempre prezando por apresentar um som de qualidade. Um nome novo no rolé que vem ganhando espaço — uma das características do N’agulha é justamente servir de vitrine para que os mcs mostrem o seu som e que ele possa chegar cada vez mais longe.

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Crédito: N’Agulha

A já tradicional Batalha Marginal de Freestayle, traz o brilho para o evento, a cada rima acertada pelos mcs o público ia aos gritos. O embate teve como mestre de cerimônia os mcs: Nego Love e Diego Verdino. A final foi decidida na melhor de três, tendo como base o som Capítulo 4 versículo 3, dos Racionais Mcs. Quem levou a melhor foi o Laff que apostou no lado cômico e mandou rimas com o anime Dragon Ball Z.

Os ânimos controlados, agora era a vez do CLBeats, grupo meio recente que trouxe seu Tap com letras sobre rolé e qual a real de ser nordestino. O público deu uma relaxada e sentou para prestar atenção no som dos caras.

Depois disso, pra fechar a noite, PH, um dos produtores que mais tem trampo com os principais grupos do Rap Alagoano, convidou os participantes da coletânea Stúdio QG Dus Manos Apresenta Volume III para mandar um som. Do Agreste alagoano, veio o Con-texto e mandou sua ideia. A regra era mandar um som próprio e mais uma música que saiu na coletânea. Vieram logo em seguida os mcs: China Black, Nod, Xié e a rapper Zica.

O N´agulha escolheu o Quintal Cultural para sediar as edições porque naturalmente o espaço se apresenta como um dos principais que promove a difusão da movimentação sócio-política e cultural na cidade. Uma ótima iniciativa que também merece ser pontuada é o Palco Aberto que deu oportunidade para que músicos iniciantes e os mc´s já ativos pudessem expor os seus trabalhos de uma maneira mais ‘informal’.

O evento ainda serviu de canal de comunicação entre os jovens dos diversos bairros de Maceió e algumas cidades do interior, propondo sempre quebrar barreiras, estereótipos e qualquer tipo de discriminação, seja de ordem racial ou sexual.

A festa encerrou as atividades em grande estilo e deu a deixa para que outros grupos/coletivos/organizações possam levar a ideia a frente e construir de forma colaborativa mais espaços onde a cultura da periferia possa ter voz.

Fonte: Sirva-se

 

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