Acesso à cidade mobiliza população contra o ‘aparthaid’ na orla de Maceió

Railton Da Silva

A presença da população empobrecida na área de lazer nobre de Maceió incomoda e esse incomodo vem sendo combatido por uma grande parcela dos moradores e dos proprietários de estabelecimentos comerciais com medidas repressivas das forças de segurança pública do Estado.

Baculejos – forma como é denominado as abordagens policiais – do tipo coletivo com grande números de jovens sendo revistados são constantes e cada vez mais truculenta e seletiva. Em agosto, o Grito na Luta reportou um baculejo coletivo nas imediações do Alagoinhas, na orla de Ponta Verde, com aproximados 150 jovens da periferia.

Na ocasião, o comandante do Policiamento da Capital, coronel Claudivan Albuquerque, destacou à imprensa que a ação tem o objetivo de inibir a ação de ‘delinquentes’ em trechos de orla para aumentar a sensação de segurança na população.

Contra esse ‘aparthaid’ e pelo acesso da população empobrecida não apenas à orla espaço, mas à toda cidade, a população inquieta da Maceió de Dentro organiza um ato na rua fechada para o próximo domingo (18), com concentração às 15 em frente ao Sete Coqueiros.

“Maceió é uma cidade com profunda exclusão social, os dados revelam que é o pior lugar para a juventude segundo o IBGE, ou seja, Maceió é uma cidade de exclusão social”, destacou o professor Magno Francisco por meio da assessoria assegurando ainda que o ato tem o objetivo de construir uma cidade de encontros e inclusões.

Ainda de acordo com ele, a mobilização é uma construção coletiva entre professores, universitários, secundaristas, juventude, classe artística e imprensa popular e que pretende discutir a exclusão da população empobrecida que na sua grande maioria é negra e mora nos profundos grotões da capital.

Narrativa da moradora e artista da periferia Tatá Ribeiro, que foi vítima de um baculejo coletivo:

“Estava pegando um sol em frente o mar. Estava com uma viola tentando movimentar uma roda como sempre faço. O Alagoinhas estava cheio de gente cada um na sua galera quando o helicóptero sobrevoou sobre a gente, já na tentativa de expulsar todo mundo. Depois eles voltaram,  tinha um grupo de meninos pretos mesmo com chapéu de marca. O policial que estava helicóptero fica com o corpo meio para fora, ele simplesmente pegou aquela arma grande e ficou apontado;  eu pensei que ele fosse atirar porque ficou bem real,  depois ele fez a volta e embaixo já surgiu várias guarnições”

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2 comentários em “Acesso à cidade mobiliza população contra o ‘aparthaid’ na orla de Maceió

  1. O que acontece em Maceió é um abuso de poder, fico indignada, como pode isso? Cade os direitos humanos que não se levantam em defesa desses jovens? Porque essa atitude com os jovens da periferia? Gente todos tem o direito de ir e vir, a cidade é do povo. Querem retornar a barbárie? O povo da periferia tem dignidade, pessoas descentes, em muitos casos mais decentes do que os filhos daqueles que se dizem educados e ricos. Essa situação precisa ser denunciada, nós como povo Alagoano não podemos aceitar esse abuso daqueles que dizem promover a paz e segurança.

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