Carta dos professores em apoio aos ocupantes do Campus Uneal V

NOTA DE APOIO DOS PROFESSORES DO CAMUZP/UNEAL À OCUPAÇÃO DOS ESTUDANTES

Nós professores da Uneal/Camuzp, bem como os professores de muitas outras universidades pelo Brasil, consideramos que o contexto atual de ataques brutais do governo ilegítimo do Michel Temer em relação aos direitos sociais, conquistados com muitas lutas pelo povo brasileiro, representa um retrocesso que terá desdobramentos perversos para a sociedade como um todo.

A Proposta de Emenda Eonstitucional, PEC 55, que congela as despesas do Governo com educação, saúde, assistência social, salário mínimo, por vinte anos, por exemplo, produzirá um retrocesso significativo no processo de desenvolvimento humano no nosso país, o que foi recentemente apontado pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Além dessa famigerada PEC 55, que será votada em segundo turno, nesta terça, duas outras propostas de mudanças constitucionais também repercutirão no agravamento das desigualdades sociais: a reforma do ensino médio e a reforma previdenciária.

Na proposta do ensino médio, observa-se um processo de mudança que diminuirá drasticamente a qualidade do ensino das escolas públicas no Brasil, construindo um modelo de educação pautado por uma concepção não crítica e conservadora acerca da realidade; um exemplo disso é a negação do acesso ao ensino de filosofia e sociologia às presentes e futuras gerações.

No que se refere às mudanças na aposentadoria previdenciária, esta se transformará em algo inacessível ao conjunto dos trabalhadores, além de produzir um forte aumento do desemprego.

É importante considerarmos que o sucateamento da educação, da saúde e da assistência social e o sucateamento da previdência são algo que interessa às empresas privadas que têm negócios nessas áreas. Saúde, educação e bem estar social são necessidades básicas, são bens dos quais nenhum indivíduo pode abrir mão; sendo necessários, todos terão de fazer o possível para ter acesso a eles.

Sem saúde pública de qualidade, a população terá de pagar planos de saúde privada; sem educação pública de qualidade, todos terão de estudar em escolas privadas; sem garantias de aposentadoria pela previdência, haverá uma corrida em busca dos planos de previdência privada.

Diante do posto acima, consideramos legitima a reação dos estudantes que, tanto no Camuzp/Uneal como na maior parte das instituições de ensino superior em Alagoas e em outros estados do Brasil, vêm resistindo de forma espontânea às destruições das possibilidades de desenvolvimento humano a partir de uma política ilegítima de diminuição da responsabilidade do Estado para com as garantias da proteção social.

Ademais, o comportamento dos alunos ocupantes demonstra um amadurecimento político por parte dos estudantes, o que reflete o valioso papel que a universidade deve exercer diante de qualquer tipo de ataques à dignidade humana. Essa prática política dos estudantes também se apresenta como um processo pedagógico imprescindível, pois trata-se de uma práxis social fundamental para o desenvolvimento do espírito humano.

Com isso, esperamos que os demais estudantes compreendam esse contexto e que possam também se juntar aos participantes das ocupações, pois não está em jogo o interesse de alguém em particular, mas de toda a coletividade. Assim, entendemos que se não resistirmos a esse “moinho satânico” que vem impondo uma destruição das condições concretas de vida, estaremos condenados a um mar de desigualdades e iniquidades sociais.

Compreendemos a preocupação dos estudante em relação ao semestre letivo, mas temos de considerar que está se travando uma luta em todo o país. As escolas e universidades unem-se em rede na luta contra o que está sendo feito pelo ilegítimo governo de Michel Temer. Não há luta sem alguma dor; não há vitória sem alguma perda. Talvez o semestre letivo de 2016.2 tenha sido perdido no que diz respeito a seu conteúdo programático; mas não terá sido perdido no que diz respeito a seu conteúdo político e humano, pois as atividades durante a ocupação foram aulas em seu mais amplo sentido. Não terá sido perdido também no que diz respeito à ideia de pertencimento, pois a Uneal/Camuzp, durante a ocupação, uniu-se a um movimento necessário e genuíno que está acontecendo em todo o país.

É importante salientarmos que, em sendo aprovada a PEC 55, os alunos ocupantes não poderão e não deverão ser rechaçados, pois a culpa pelo sacrifício do semestre não é deles, e sim do governo ilegítimo de Michel Temer, que nos deu a todos motivos suficientes para que as escolas e universidades fossem ocupadas. Afinal, seria muito estranho que estudantes e professores que querem construir o futuro continuassem suas atividades normalmente, sem atentar para o que estivesse acontecendo no entorno.

A luta da ocupação é uma luta pelo bem comum. A luta coletiva que está se iniciando em todo o Brasil é pelo bem comum. Todos serão beneficiados, caso a luta tenha o resultado pretendido. Serão beneficiados, inclusive, aqueles que não lutaram.

Esta é uma carta dos Professores do Campus Universitário Zumbi dos Palmares – Camuzp. E tem o apoio da Reitoria e Vice-reitoria da Uneal.

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