Sem Terra fazem ato no Tribunal de Justiça contra impunidade da violência no campo

Gustavo Marinho/MST

Com mais de 2 mil trabalhadores e trabalhadoras rurais Sem Terra de todas as regiões de Alagoas desde o último domingo na capital, os movimentos sociais de luta pela terra do estado realizam na manhã de hoje (29) um ato contra a violência e a impunidade em frente ao prédio do Tribunal de Justiça de Alagoas, no Centro da Cidade de Maceió. O ato está previsto para iniciar às 9 horas.

A manifestação marca o dia estadual de luta contra a violência e a impunidade no campo e na cidade, data marcada na agenda de luta dos camponeses e camponesas desde o assassinato de Jaelson Melquíades, dirigente do MST assassinado em 2005.

“Incansavelmente vamos bater na porta da justiça e exigir a punição de quem mata trabalhador nesse estado”, destacou Carlos Lima, da Comissão Pastoral da Terra (CPT). “Hoje será mais um dia de denunciar a impunidade e dizer que o sangue de Jaelson e de tantos companheiros e companheiras que tombaram na luta, corre em nossas veias”.

Organizados na CPT, Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Movimento Via do Trabalho (MVT), os Sem Terra convocaram diversos setores da sociedade maceioense a prestarem sua solidariedade na luta por justiça social.

“Nossa luta é por uma Alagoas livre, onde o gado e a cerca não sejam mais valiosos que a vida do nosso povo”, disse Lima.

Jaelson foi assassinado com cinco tiros numa emboscada a mando de um consórcio de fazendeiros da região, na região de Atalaia, quando voltava de uma reunião em um acampamento, hoje assentamento que carrega o nome do dirigente Sem Terra.

“Todos sabemos quem foram os mandantes da morte de Jaelson”, afirmou Carlos Lima, “mesmo assim, a justiça esteve em silêncio durante todo esse tempo. O ato que fazemos hoje nada mais é que um ato por justiça”.

Somente em agosto deste ano, após mobilização por parte dos movimentos sociais, foi preso um dos supostos executores da morte de Jaelson.

Jornada de lutas 

Já iniciando o segundo dia de mobilização dos Sem Terra na capital Maceió, os trabalhadores rurais ocuparam na manhã de ontem (28) o prédio da superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), em protesto contra a paralisia da Reforma Agrária no país.

“Temos famílias com 13 anos de assentadas e ainda não tiveram acesso à habitação ou demarcação de seus lotes e agora o governo tem apontado uma piora nesse cenário”, explicou José Roberto, do MST.

No prédio do Incra, os camponeses reuniram-se com o superintendente do órgão em Alagoas, Alberto Nascimento, onde pautaram o bloqueio de 578 famílias assentadas pelo TCU, através do Acórdão publicado em abril desse ano, impedindo que as famílias acessem os direitos sociais já garantidos aos assentados, como aposentadoria e salário maternidade.

“Desde setembro tiveram o compromisso de reverter a situação e até agora a vida do povo no assentamento segue paralisada”, disse José Roberto. “Esse foi mais um recado nosso ao descaso desse governo com a Reforma Agrária. Continuaremos em alerta e fazendo muita luta na defesa dos nossos direitos”.

Os trabalhadores rurais ainda aguardam para o dia de hoje uma agenda com o secretariado do Governo do Estado de Alagoas para pautar o acesso à água e as terras da massa falida do Grupo João Lyra.

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