Manifesto de apoio de professores em apoio as ocupações do IFAL Maceió

PELO DIREITO À LIVRE MANIFESTAÇÃO
DE PROFESSORES DA CCHT-IFAL-CAMPUS MACEIÓ
APOIO AOS ESTUDANTES QUE OCUPAM O CAMPUS MACEIÓ-IFAL
Prezadas e prezados estudantes,
É por acreditarmos que a sociedade é corresponsável pelo vosso direito à educação pública, laica, de excelente qualidade e gratuita, que nos manifestamos.
O país atravessa um difícil momento, no qual a efervescência da crise de humanidade se impõe no Estado. Desde a redemocratização do país, fruto de lutas que derramaram sangue, os movimentos sociais buscaram consolidar seus direitos na participação democrática e nas decisões do Estado. Isto se revela no protagonismo de diversos movimentos sociais na batalha para participarem efetivamente da Constituição de 1988, que supostamente pôs fim à ditadura civil-militar de 21 anos. A clareza de que a participação destes movimentos consolidaram a carta magna da nação retornam, agora, como legitimação das lutas que se levantam de forma honesta e legítima país adentro, pois reivindicam o enfrentamento numa batalha que parece perdida visto a força do poder vigente. Um poder que decididamente não se propõe ao diálogo, o que nos faz questionar o seu caráter democrático.
É no calor do momento, mas também na tranquilidade e convicção de que não se pode abandonar os direitos outrora garantidos, que nos solidarizamos com a organizada e bela manifestação de repúdio às medidas autoritárias e contrárias aos direitos populares e democráticos que o povo brasileiro acreditava possuir, que afirmamos nossa solidariedade ao vosso movimento.
Assim sendo, elencaremos alguns elementos a serem ressaltados que materializam o valor e a dignidade desta luta:
Repudiamos a “Lei da Mordaça” desejada pelo poder Legislativo do nosso Estado, ao passo que ecoa nos mais recônditos poderes legislativos deste país; A escola é um espaço de produção do livre pensamento e, por isto, não pode sofrer a interferência heteronômica de sua condição essencial, a produção do espírito crítico e democrático.
É inaceitável que o ensino médio seja reformulado de forma despótica através da MP 746, que torna dispensáveis o ensino das disciplinas: Filosofia, Sociologia, Artes, Educação Física,  Música ,  Espanhol, História e Geografia em suas especificidades, cruciais para a formação integral do ser humano. A presença dessas disciplinas  é indispensável para que o estudante seja formado para além de um  mero receptor de informação ou reprodutor de conhecimentos técnicos,  sendo estimulado a ser um cidadão capaz de construir saber de forma crítica e autônoma;
Nos solidarizamos com a luta contra a PEC 241, que ora passa a ser chamada PEC 55 2016, em sua tramitação no Senado Federal. Este projeto representa o desmonte pleno dos direitos sociais garantidos pela constituição de 1988, ao impor um “teto de gastos” primários para saúde, educação, assistência social, destinando majoritariamente os recursos da União para o pagamento da dívida e assim penalizando o povo brasileiro durante os próximos 20 anos.
Repudiamos veementemente todas as formas de cerceamento das lutas sociais que estão em curso, o que nos faz questionar de forma contundente o caráter democrático desta República.
É urgente, necessário, coerente e humano repudiar e lutar contra todas estas medidas que apontam para a aprofundamento da miséria do povo brasileiro, tanto no nível material quanto no intelectual, uma vez que claramente segrega ainda mais aqueles que podem dos que não podem pagar pelos direitos que o estado lhes deve.
Afirmamos também nosso compromisso com uma educação pública, laica, gratuita e de excelência, ora ameaçada por medidas autoritárias e decididamente contrárias aos direitos sociais que neste momento o povo brasileiro se dá conta.
Para além de todas as conquistas históricas mencionadas, é salutar lembrar que o Instituto Federal de Alagoas (mediante as mudanças estruturais de seu início como Escola de Artes e Ofícios ao IFAL), no auge de seus mais de 100 anos, vive um momento de resistência estudantil que nos provoca a repensar a relevância deste lugar para os que passaram, os que estão (e lutam) e para os que virão em sua formação integral. A resistência destes(as) que ousam lutar por uma educação pautada no debate e pela garantia de que este espaço continue a existir para todos(as), mostra a força da juventude que habita a nossa escola hoje.
Assim, ao exercerem sua cidadania, ensinam a sociedade alagoana que com a ocupação, a luta e a resistência são possíveis, bem como a garantia deste espaço para todos(as).
Portanto, nós professoras e professores, apoiamos estes(as) estudantes pois reconhecemos a razão de sua luta,   entendendo que a Docência não começa e termina dentro da sala de aula ou de laboratórios, ao contrário, a docência tem relação com a luta, a resistência e, portanto, com a ética, o justo e o bom do mundo. A saber, com a dignidade dos nossos estudantes, dos professores e professoras, de toda a sociedade brasileira e particularmente alagoana, lugar de nossa luta.
Maceió, 24 de novembro de 2016,
Amaro Helio da Silva
Andréa Pereira Moraes
Alice Maria Marinho Rodrigues Lima
Carla Patrícia da Silva
Claudiane Lira Santos
Daniela Ribeiro de Bulhões Jobim
David Wanderley Silva Lins
Edcléa Fabiana de A. Barros
Estevam Alves Moreira Neto
Maria Izabel Correia
Maurício Santos Correia
Nadia Silveira
Nadja Waleska Silva
Natália S. Freitas
Solange Enoi Melo de Rezende
Tiago do Rosário Silva
Thiago Pessoa Prudente
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