Capoeiristas denunciam violência policial na Serra da Barriga

Da Redação

O Dia da ‘Consciência Negra’ é dia de luta, principalmente contra o Estado opressor e neste domingo, 20, um grupo de capoeiristas usaram as redes sociais para denunciar – por meio de vídeo – uma ação de militares do BPTran considerada truculenta.

A ação ocorreu em um dos maiores quilombos de resistência da luta pela libertação dos negros liderado por Zumbi, a Serra da Barriga. A redação do Grito na Luta tentou contato com a assessoria da PM, mas sem sucesso.

Confira o vídeo da denúncia:

A luta contra a violência policial ainda continua nos dias atuais e denuncias são constantes e o Grito na Luta acompanha os casos, inclusive com apoio expresso pelo companheiro Latuff em  charge.

Charge Latuff o grito
Charge do Latuff especial para o Grito na Luta

A Resistência Popular de Alagoas lançou uma nota, que pode ser conferida na integra:

CONSCIÊNCIA NEGRA: RACISMO E VIOLÊNCIA POLICIAL NA SERRA DA BARRIGA.

Militares espancam e ameaçam capoeiristas na terra da resistência do Quilombo.

Quando se trata do racismo e da violência policial, nem mesmo a memória de uma data, e o pedaço de terra que é berço histórico da resistência do Quilombo dos Palmares, parece ser suficiente para impedir o ataque contra a juventude negra da periferia. Neste dia 20 de novembro, dia da Consciência Negra, uma guarnição da Policia Militar espancou e ameaçou capoeiristas na descida da Serra da Barriga, em União dos Palmares. O episódio ocorreu por volta das 16 horas, no estacionamento de acesso ao local.

De acordo com testemunhas, a ocorrência começou quando o motorista de uma das vans, que fazia a descida da serra, começou a provocar um grupo de jogadores de capoeira, entre eles adolescentes e crianças. “Ele chamava os meninos de maloqueiros e falava que tinham que apanhar. Quando desceu da van, saiu dizendo que eles tinham rasgado o banco do veículo”.

Nesse momento, segundo os relatos, três policiais do Batalhão de Policiamento de Transito (BPTran) começaram a se aproximar dos garotos, já puxando as armas. O contramestre Carlinhos, do grupo de capoeira Liberdade, tentou intervir, para esclarecer sobre a situação, mas foi recebido com dois socos no rosto por um dos policiais militares.

“Quando viu a agressão, os meninos tentaram socorrer o mestre Carlinhos, mas foram contidos pelos outros policiais. Um dos meninos, um adolescente, puxou o celular para filmar a agressão. Nesse momento, outro militar deu um tapão no rosto de outro menino, enquanto dizia ‘TÁ FILMANDO POLICIAL PRA QUÊ, SEU VIADINHO?’. Com a força do tapa, dos chutes e pontapés, o garoto caiu em cima da cerca de arame farpado, se machucando todo”.

Também de acordo com as testemunhas, ainda com as armas apontando para os jovens, ameaçaram: “Quem filmar, vai levar”. Um deles tomou o celular do garoto que havia tentado filmar no início e, após ordenar que o garoto desbloqueasse, formatou o aparelho e quebrou o cartão SD, impossibilitando registros visuais da violência.

VIOLÊNCIA COTIDIANA

As agressões contra mulheres, homens e jovens negros, não se restringem a uma marca histórica, nem jamais poderão se resolver por um chamado de consciência dentro de uma estrutura racista e opressora. A violência policial cometida contra a juventude periférica de Alagoas é cotidiana, invisibilizada e reforçada pelo aparato policial, e se sustenta pela garantia de impunidade.

Ainda que nenhuma dessas informações sejam exatamente uma novidade, é simbólico que esse episódio tenha ocorrido em um dia e em um lugar tão significativo.

“É um dia de lembrar a história de sequestro, estupro e exploração de nossos ancestrais, mas também de exaltar coisas boas. Nossas riquezas, como as dança, a luta, os cantos, a religiosidade. Dia de se reunir e se identificar, sorrir, cantar lá na serra, grande símbolo de luta e resistência prestigiada por pessoas de todo o mundo”, conta a estudante Yara Costa, negra e militante social. “Todos os dias passamos por racismo no Brasil, porque desigualdade social é racismo. Quem vocês acham que foram os primeiros moradores de rua? Sim, foram os filhos do ventre livre, os idosos”, relata.

“Antes tinham feitores, também negros, para caçar os homens e mulheres escravizados, reprimir fugas e festividades. E hoje temos a polícia. A polícia que nos relembrou onde é o nosso lugar na sociedade, não é? Nesse dia não poderia faltar também repressão e humilhação. Mais um dia!”

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