Sem terra clamam em romaria por fim das injustiças e denunciam PEC 55

Inspirada na encíclica papal Laudato Si – “Casa comum, nossa responsabilidade”, a 29ª Romaria da Terra e das Águas clamou pelo fim das injustiças e convocou a população a se engajar na luta por um mundo melhor. A edição de 2016 da Romaria foi realizada nos dias 12 e 13 de novembro, em São Miguel dos Milagres. O ato de fé e penitência reuniu mais de mil romeiros e romeiras para um percurso de 13 km, da Igreja Matriz da Paróquia de Nossa Senhora Mãe do povo até o assentamento Jubileu 2000.

Sob a luz da lua cheia e de velas, religiosos e movimentos sociais e pastorais caminharam pela madrugada cantando e rezando. Em quatro paradas, foram realizadas reflexões sobre a “Casa Comum”, a “Água Bem Comum”, a “Terra Bem Comum” e a “Reforma Agrária”. Mesmo com o trio elétrico tendo quebrado ainda no primeiro quilômetro, o povo não desaminou, continuou a cantar e rezar durante todo o longo percurso.

Para Leandro Enoque, jovem da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, do Vergel do Lago, Maceió, a ausência da banda tocando ao trio não diminuiu a importância do evento. “É minha primeira vez, gostei. Mesmo sem o trio, a gente fez o som e cantou, pois sempre que tem um problema a gente pode dar uma solução. Antigamente, não existia trio e o povo fazia suas romarias. Pretendo voltar ano que vem”, afirmou Leandro.

Pessoas de todas as idades e de diversas regiões estiveram nessa Romaria, de idosos a crianças de colo. A assentada Maria do Bobó, 70 anos, veio de Água Branca, sertão de Alagoas. Maria enfrentou uma viagem que durou quase 8 horas, mas garantiu: “valeu à pena, virei sempre enquanto Deus me der vida e condições de caminhar” afirmou.

A anfitriã Irmã Cícera Menezes, coordenadora da CPT assentada no Jubileu 2000, ficou bastante contente a realização da romaria e afirmou: “apesar do contratempo, foi um momento importante de fé do povo e que serve como combustível para se alimentar e continuar sonhando com um mundo melhor”.

Lutar contra a PEC 241 é cuidar da casa comum

A Santa Missa foi recheada de místicas e reflexões sobre a Terra Mãe. Do início ao fim da celebração, coordenada pelo Padre Ronaldo, os fiéis ouviram a palavra de Deus e os ensinamentos do Papa Francisco. As presenças do Pe Alex Cauchi, Pároco da Arquidiocese da Paraíba, e do Pe Luciano Lima, coordenador diocesano das Pastorais Sociais da Diocese de Salgueiro, engradeceram ainda mais a cerimônia.

Na homilia, os padres convidados, apresentaram o chamado do Papa para cuidar da terra e da vida, como uma responsabilidade de todos, e citaram o momento político que o Brasil vive. “Não é o fim do mundo, mas essa PEC é quase isso, ela é contra a gente, o povo. Vivemos tempos difíceis em nosso país. Os estrangeiros estão doidos para pegar nosso petróleo e estamos correndo o risco de voltar ao tempo de o povo passar fome e a ter saques por comida. Se a gente não cuidar, vamos perder o que já conquistamos”, afirmou o Pe Alex Cauchi, lembrando os 16 anos de vitória do assentamento Jubileu 2000.

A Proposta de Emenda Constitucional 241, agora PEC 55, já foi aprovada na câmara de deputados e agora tramita no Senado Federal. Esse projeto visa congelar durante 20 anos os recursos para as despesas primárias, incluindo saúde e educação. Se aprovado, mesmo que a economia cresça, o Brasil só poderá reajustar os investimentos limitado à inflação e todo excedente será destinado aos banqueiros e detentores da dívida pública.

Para o Padre Luciano Lima, o papel de todo cristão é lutar contra as injustiças e as paróquias devem se posicionar nessa batalha contra o congelamento de recursos nas áreas sociais. “Eu não chamo PEC, chamo ‘peste’. Essa peste significa acabar o SUS e estudante ter que pagar para estudar. E o que dói não é só a PEC, é muita gente que está na Igreja balançando a cabeça e aceitando a injustiça”, afirmou o coordenador das Pastorais Sociais em Pernambuco.

E prosseguiu: “Dom Hélder dizia que uma varinha sozinha é fácil de quebrar, mas 5 já é difícil. O Papa diz: casa comum, nossa responsabilidade. Então não podemos fechar os olhos. Não basta os bispos dizerem que são contra, é preciso que a Igreja se posicione, que a gente fale nas missas e vá organizando varinha por varinha para ter um mundo melhor”, concluiu o religioso convocando os homens e mulheres presentes a participarem das pastorais e grupos da Igreja com o objetivo de se engajar nas lutas sociais.

Fonte: CPT/Alagoas

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