Candidata sofre constrangimento e é vítima de intolerância e discriminação durante as provas do Enem

Railton Da Silva

‘Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil’, esse foi o tema da prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio 2016 aplicada neste domingo, 06, mas esses ‘caminhos’ – pelo que parece – apenas ficam no campo do imaginário e não é aplicado na prática, muito menos por quem é responsável pela aplicação das provas.

As provas foram aplicadas em dois dias – sábado (05) e domingo (06) – e, em Maceió, uma candidata foi vítima da intolerância e discriminação religiosa durante a realização do exame por estar usando um turbante, um adorno de cabeça feito por diversos tecidos.

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Lucélia Silva. Crédito: Arquivo Pessoal

“Eu cheguei tranquila, passei por todos os portões e não fui parada nem nada. Passei pela porta da sala que iria fazer a prova e nada foi falado sobre o turbante, após duas horas do início da prova fui abordada pela fiscal de sala, que só depois de duas horas veio me falar ironicamente que se eu pudesse ir amanhã – domingo (06) – sem turbante eu fosse. Sendo assim fiquei com o juízo conturbado, finalizei logo a prova e entreguei logo pra ela para chegar em casa e pode olha o edital do Enem pra ver se tem algo que fale sobre poder ou não usar o turbante”, destacou a candidata Lucélia Silva.

De acordo com ela, isso tirou a sua atenção e lhe prejudicou na continuação do exame. “Me senti constrangida por ela me abordar no meio da prova e falar que ‘se eu pudesse não fosse de turbante hoje’ – domingo – e hoje me sentir constrangida pela quantidade de pessoa que tinha nos corredores e eu indo ao lado da coordenadora para sala da condenação pra lá ela revista meu turbante”.

“O turbante para mim é mais que um adorno de cabeça, ele já faz parte de meus looks diários. Ele protege minha cabeça, me traz sabedoria e me faz se sentir uma rainha. O turbante não é moda, ele está fortemente ligado aos povos tradicionais de terceiro! Possa ser que por isso que quem usa turbante ainda é taxado como “macumbeiro”.

Ela destacou ainda que não abordou diretamente o caso na redação, mas que falou dos jovens que ainda sofrem preconceitos dentro da escolas e que – ainda – em muitos casos chegam a ser impedidos de assistir as aulas por estar usando turbante ou fios de contas.

“Conviver no universo do turbante não é fácil, você sofre preconceitos diários e escuta piadas inaceitáveis. Aprendi a conviver com isso, uso muito a frase que “turbante na África é coroa” então me sinto uma rainha de turbante , e manter a postura de rainha e não se troca por certos questionamentos ouvidos de pessoas sem cultura que não sabem o significado do turbante”.

Ainda de acordo com ela, hoje (07) conversará com o padrinho onde receberá aconselhamento para ver quais medidas deve tomar. “Porque realmente você fica conturbada e constrangida com a vergonha que é ser abordada no meio da prova”, finalizou.

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