Nem Rui Palmeira nem Cícero Almeida

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Golbery Lessa. Crédito: Reprodução

Golbery Lessa*

A campanha eleitoral durante o segundo turno, em Maceió, revelou como os candidatos ligados ao status quo da cidade rebaixam o nível do seu discurso diante da ausência de uma candidatura de esquerda. Quando a disputa passa a ser apenas entre dois representantes diretos das grandes empresas que têm dominado a capital alagoana e produzido um desenvolvimento urbano totalmente desumano e excludente, a identidade entre as ideias e propostas neoliberais dos antagonistas os obriga a disputar apenas no terreno da moral.

Nesse quesito, nenhuma candidatura neoliberal, pela sua própria natureza de iniciativa capturada pelos interesses capitalistas mais mesquinhos, pode ser aprovada. Portanto, Cícero Almeida e Rui Palmeira disputaram no pior terreno para ambos. E destruíram-se mutuamente.

Um deles será o prefeito, mas os dois perderam o respeito da opinião pública. Nesta opinião pública, ficou nítido o constrangimento dos setores de centro e de direita, obrigados a ver expostas à luz do dia a natureza efetivamente bárbara e amoral dos neoliberais maceioenses. Esses setores sempre souberam dessa natureza, defendem o neoliberalismo por conservadorismo e preconceito em relação à esquerda e ao povo, mas se constrangem ao vê-la exposta sem disfarce.

As duas candidaturas basearam sua estratégia numa abstração da classe média, num desprezo pelos formadores de opinião, tomaram os setores médios como já ganhos, como simples aderentes, e foram disputar as várias camadas da classe trabalhadora. Disputaram a partir da visão preconceituosa e reducionista que possuem dos trabalhadores, projetando sua própria amoralidade nos pobres da cidade.

Atuaram como se no proletariado de Maceió não existisse grandeza moral, dignidade, inteligência, respeito à alteridade, consciência crítica e generosidade. Isso porque não conseguem perceber o povo sem as lentes deformadas da tradicional visão preconceituosa da burguesia. São incapazes de entender que entre os trabalhadores ocorrem os processos culturais, políticos e econômicos mais importantes da cidade.Desde as dezenas de folguedos e festas populares até as várias experiências associativas e políticas ao longo da história de Maceió.

Assim, Cícero Almeida e Rui Palmeira chegaram a disputar mais uma vez o cargo de prefeito de uma das capitais brasileiras por um processo de seleção adversa, ou seja, por um sistema eleitoral que oferece prêmios aos piores e barra a ascensão dos melhores, criando um mundo político invertido e absurdo.

Portanto, o voto nulo na eleição de hoje não é apenas uma opção, é um imperativo ético, um gesto político explícito em defesa da civilização e contra a barbárie imposta pelo neoliberalismo ao povo de uma das mais belas cidades brasileiras.

Maceió, 30 de outubro de 2016.

*É professor e membro do Comitê Estadual do PCB.

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