Comerciantes impedem na justiça construção de ciclofaixa em Maceió

Assim como em São Paulo e em outras partes do Brasil e do mundo (como em Vancouver, no Canadá), alguns comerciantes de Maceió não aprovam a instalação de ciclovias por temer queda no faturamento. Sua suposição é de que apenas quem se desloca de automóvel seria um potencial comprador, sem perceber que, contemplando quem vai de bike, o efeito é justamente o aumento no faturamento.

Juliana Agra, representante da Associação de Ciclistas Urbanos de Maceió (CicloMobilidade), conta que a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) entrou na justiça contra a implantação de uma ciclofaixa em uma avenida de Maceió, a Deputado José Lages, no bairro de Ponta Verde. As obras foram iniciadas em abril de 2015 e estavam previstas para serem concluídas no mês seguinte.

O juiz Antonio Emanuel Dória Ferreira, da 14ª Vara Cível da Capital / Fazenda Municipal, atendeu o recurso da Abrasel por considerar a necessidade de se cumprir diversas etapas de planejamentos e discussão com os interessados, entre eles ciclistas e condutores de veículos, antes de modificações na via. “A prefeitura simplesmente não fez nada e ficou por isso mesmo. Mexeu com poderosos, que não estão dispostos abrir mão de vagas de estacionamento”, critica Juliana.

De acordo com a assessoria da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito – SMTT, o imbróglio permanece na justiça. O departamento pertencente à prefeitura enviou todos os dados técnicos ao Tribunal de Justiça, segundo a assessoria. A SMTT diz também que houve degradação da pintura por conta da suspensão das obras.

Maceió tem apenas 41 km de vias com infraestrutura cicloviária. No entanto, segundo recomendação da mesma associação, a capital necessitaria de ao menos 200 km desse tipo de infraestrutura para garantir maior segurança e conforto a quem pedala.

Tese foi posta à prova em São Paulo

Esse tema também já foi exaustivamente debatido em São Paulo, com um resultado que surpreendeu muita gente. Em agosto de 2015, com a iminência da abertura da avenida Paulista às pessoas aos domingos, havia a preocupação de que o comércio teria “de 30 a 40% de prejuízo” com a medida, como chegou a afirmar Vilma Peramezza, presidente da Associação Paulista Viva.

Entretanto, os comerciantes da região rapidamente perceberam que as vendas aumentavam com pessoas a pé e de bicicleta no lugar dos automóveis. Em outubro do mesmo ano, a Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade) lançou o Manual Bicicleta e Comércio, tomando como exemplo a cidade de Nova York (EUA). O SEBRAE também tem uma cartilha que esclarece aos comerciantes como receber bem os ciclistas – e lucrar com eles.

Aumento de 179% após instalação de ciclovia

O caso mais emblemático sobre a relação das vias para ciclistas e o comércio, ocorreu nos Estados Unidos. Uma pesquisa do Departamento de Transportes de Nova York apontou que nos locais que dispões de ciclovias somadas a larga calçadas, como na Nona Avenida, as vendas tiveram um aumento de 49%.

Em outro local, na avenida Vanderbilt , depois de três anos de estruturas para bicicletas, comerciantes comemoraram um aumento de 102% nas vendas. Em vias paralelas o aumento ficou em 18%.

Já em vias que foram abertas apenas para pedestres, o crescimento foi de 179%, segundo o estudo. Na Times Square, segundo a ex-secretária de Transportes, Janette Sadik-Khan, “o trânsito acabou fluindo melhor, vendas no comércio aumentaram 50% e o valor dos aluguéis no entorno dobrou”.

Fonte: Vai de Bike

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