Derrotas se superam, mas é preciso compreendê-las coletivamente

Ricardo Gebrim*

Ainda embalados pelos impactos da derrota eleitoral nas eleições municipais, as forças de esquerda vão se dando conta da dimensão do cerco político que vai se fechando. Vai ficando claro que a direita, para implementar a nova ofensiva neoliberal, precisa destruir ao máximo a capacidade de organização popular que acumulada nas últimas décadas.

Toda uma geração de lutadores populares enfrenta agora uma conjuntura de derrota e ofensiva reacionária.

Ante esta ofensiva é preciso saber recuar organizadamente para recompor nossas forças. Não se trata de recuar das lutas, nem das denúncias e propostas, mas saber reagrupar nossas forças, somando esforços e impedindo a dispersão. Aliás, a arte do recuo político reside exatamente na capacidade de manter lutas enquanto nos reorganizamos.

Nosso esforço conjunto deve buscar construir uma análise comum do momento que enfrentamos e identificar as soluções conjuntas que precisam ser apontadas para a sociedade. Isso é fundamental para uma militância abalada por derrotas, mas que não pode ser paralisada pelo desânimo. E decisivo, na medida em que as privatizações e precarização de direitos propostas pelos golpistas não configuram nenhuma perspectiva de futuro, e são incapazes de atrair qualquer parcela popular ao seu projeto.

Construir a unidade

Nesta construção unitária não podemos nos limitar apenas às direções e representações dos partidos e organizações sociais que já possuem legítimos e preciosos acúmulos e formulações. O caminho conta mais que o resultado final. A Frente Brasil Popular deve ser capaz de envolver todos os militantes e ativistas que se disponham a esta construção, não somente abrindo espaço para escutá-los, mas para que interfiram e decidam os rumos a serem tomados.

São muitos os debates que precisam ser enfrentados coletivamente num espaço unitário da Frente. Cresce a compreensão, cada vez mais generalizada, de quanto nos custou abandonar ou secundarizar o trabalho de base. Vai ficando nítido que concentrar as energias na luta eleitoral, sem apostar na formação e no trabalho organizativo, nos deixou com “pés de barro” mesmo quando obtivemos as vitórias mais importantes.

Não podemos enfrentar uma ofensiva dessa dimensão enquanto várias organizações cindidas por inúmeras facções se digladiam por pequenas ambições, incapazes de aperceber dos movimentos do inimigo.

A Frente Brasil Popular não pode permitir que esse debate se dê de maneira caótica, com cada organização isoladamente fazendo o seu balanço, deixando órfãos milhares de lutadores que amargam solitariamente sua desilusão. Enfrentando juntos esse balanço, as autocríticas necessárias, fortaleceremos a confiança entre nós, construindo uma ferramenta política unitária que cultive os valores revolucionários, soldando nossa confiança e respeitando nossas diferenças. Este é o desafio para enfrentar um cerco político que claramente pretende nos destruir. Este é o salto de qualidade que a história nos exige.

* é da direção nacional da Consulta Popular, organização que integra a Frente Brasil Popular

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