Crítica Estudantil à Universidade Estadual de Alagoas: Mil motivos pra lutar!

Dos estudantes da UNEAL Arapiraca

A tão sonhada universidade se torna um pesadelo quando estudantes entram em um ambiente que tende cada vez mais ao abandono e ao fracasso. Esse é o caso da Universidade Estadual de Alagoas em Arapiraca.

ESTRUTURA DA UNIVERSIDADE

Recentemente estudantes vêm passando por uma série de problemas que se agrava cada vez mais diante do desinteresse da reitoria em estimular e incentivar a permanência e o aprendizado teórico e prático dos/das graduandos na universidade dos diversos cursos oferecidos. Há falta de materiais para experiência prática nos laboratórios de Química e Biologia, como também os materiais para pesquisas no curso de Geografia. Também, na biblioteca, existe carência de livros das abordagens teóricas na sala de aula em quase todos os cursos disponibilizados. A falta de professores em diversos cursos é grave e afeta diretamente aos graduandos da universidade.

A dificuldade que os/as estudantes têm para desenvolver ou acompanhar um projeto de pesquisa é maior ainda. Em menos de um mês a Gestão Administrativa da UNEAL abriu dois projetos que beneficiaria estudantes de várias áreas para estágio e pesquisa, no entanto todos os dois projetos foram cancelados antes mesmo do termino do prazo das inscrições, gerando uma onda de indignação e insatisfação dos/das estudantes pelos corredores, que já não mais suportam a situação que se encontra a universidade.

O primeiro projeto, ofertado pela Pró-Reitoria de Extensão (PROEXT), juntamente com o Núcleo de Atendimento ao Estudante (NAE), da UNEAL, foi lançado como “Pé na Universidade” para a seleção de monitores. Ao total 14 pessoas foram inscritas, sendo aprovada apenas 12, resultando em pelo menos uma pessoa de cada curso inscrita. O Pró – Reitor de Extensão da UNEAL, o Professor Reinaldo Sousa, resolveu adiar para 2017 o projeto pelos seguintes motivos, segundo ele: “A prorrogação faz-se necessária em função de determinadas causas de ordem técnica, tais como: limitações financeiras; exíguo tempo para realização do processo, considerando a proximidade do ENEM; baixo número de inscritos; dificuldades de formar bancas”. Com isso surgem alguns questionamentos: Primeiro, considerando o baixo número de inscritos (os 12 que iriam realizar a prova e dar inicio ao projeto) obviamente não implica em uma “limitação financeira”, pois se o prof. Reinaldo Sousa se queixa por haver um baixo nível de inscritos então é preferível que mais graduandos se inscrevessem no projeto, havendo mais demandas, o que acarretaria uma proximidade possível em “limitação financeira”. Segundo, a justificativa de estar próximo ao ENEM deixa claro que é só uma jogada para não realizar de fato o projeto, pois, os alunos que entrarão na UNEAL em 2017 não poderão realizar qualquer tipo de projeto até chegar ao 2° período de seus cursos, e nesse caso, os que já estão desde agora terão que esperar até o 2° período dos novos graduandos ou sabe-se lá quando. O segundo projeto, ofertado pelo PIBID, foi cancelado com menos de uma semana em que foi aberto. Tudo isso entre o final do mês de agosto e final do mês de setembro de 2016.

No que diz respeito à ida e vinda dos/das estudantes, de cidades próximas e distantes de Arapiraca e até mesmo dos que já são da cidade, há também algumas dificuldades. Muitos tiram do próprio bolso verba para poderem ir pra universidade, além do desgaste físico em se locomover todos os dias, visto que a universidade não oferece uma política de assistência estudantil no que diz respeito à construção de residência universitária para os graduandos que são de fora da cidade ter mais facilidade em permanecer na universidade. Como também não há uma política de assistência estudantil que ofereça regularmente alimentação diária para os que precisam se manter na universidade em dois horários e obviamente os que morariam nas residências universitárias.

Há também outros problemas que dizem respeito ao acesso básico dos estudantes. O acesso aos banheiros da universidade é lastimável, muitos se encontram interditados por danificações em encanamentos e em vasos sanitários, não há portas nos banheiros, tanto feminino quanto masculino. Os bebedouros estão totalmente sem vistoria há muito tempo, com danificações e sujeiras, podendo causar infecções e/ou outras doenças aos/as que utilizam o bebedouro.

RELAÇÃO PROFESSORES E ESTUDANTES

Como se não bastasse à falta de professores, há ainda momentos em que os poucos professores que existem tentam desqualificar os/as estudantes, humilhando-os em algumas vezes. Na sala de aula permanece a ideia de que o professor é o único coberto de razão e os/as estudantes ao tentar articular com os professores, em alguns casos, com alguns professores, ouvem piadas desnecessárias e cheia de autoritarismo intelectual. Alguns professores não estão abertos para conversar com os/as estudantes sobre os problemas que existem na universidade e tentar construir uma articulação solidária e de apoio mútuo entre professores e estudantes para a defesa contra a retirada dos direitos conquistados em lutas combativas e classistas e a conquista de novos. É um absurdo diante da situação que se encontra a universidade, nós como estudantes ter que ouvir de alguns professores frases como: “Você é um alienado, a UNEAL não te merece, você não faz por merecer” entre outras, causando frustação aos/as estudantes, colocando a Instituição a cima das pessoas, ignorando toda a situação real que se encontra as pessoas neste espaço cultural-ideológico.

O desgaste é grande e não nos interessa entrar em conflito pessoal que por sua vez se mostra desnecessário, improdutivo, sem razão e infantil. Interessa-nos a articulação construtiva e amigável entre professores e estudantes. Só assim podemos começar a pensar em como iremos sair de onde estamos, dessa situação desconfortável que nos oprime, e chegar aonde queremos chegar, que é a conquista daquilo que tanto almejamos.

O QUE NOS ESPERA O FUTURO?

Diante de todo esse descaso devemos ter em mente que a depender dos patrões e dos governos, daqueles que dominam, exploram e oprimem, nunca sairemos dessa situação em que estamos. Desde muito tempo ouvimos dos “representantes do povo”, que se reúnem e decidem como irão gerir a sociedade e impõe suas decisões para que nós obedeçamos (gerando uma relação de dominante-dominado), suas promessas de projetos que tem por objetivo beneficiar a população, e que não beneficia e não nos interessa muita das vezes. Como é o caso da “Lei da Escola Livre”, desenvolvido aqui em Alagoas, que vêm como um martelo destruindo todo o pensamento livre a fim de formar um pensamento conservador e reacionário, com tendência para a extrema-direita neoliberal, visando à formação de trabalhadores de linha de produção obedientes e passivos com uma vasta jornada de trabalho e baixíssima remuneração. Como também as retiradas de direitos que o governo vem articulando em âmbito nacional.

No que diz respeito aos problemas existente e que afetam diretamente os/as estudantes da UNEAL, observamos que na Instituição o problema maior que nos confronta é a própria Gestão. São eles que organizam e efetivam projetos, são eles quem retira os projetos. Sabemos muito bem que a UNEAL está influenciada pelo interesse do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e vice-versa. Há alguns professores que estão disputando eleições representativas a cargo de vereador e o apoio é grande de coordenadores dos cursos e da própria Gestão da UNEAL. Há gasto com transportes, há gasto com viagens para suas Juventudes, há gasto para festas. E os gastos para a juventude do PCdoB não são de agora.

Mas, por que não há investimento no desenvolvimento teórico e prático dos estudantes na UNEAL?  Por que não há investimento que estimule e facilite a permanência de estudantes na UNEAL? Por que não há investimento na UNEAL? O que há para esperar da Gestão da UNEAL? Vamos esperar até quando? Precisamos nos organizar e agir para conquistar nossos direitos!

É com motivo e com razão que devemos tomar a iniciativa de organizar a luta estudantil e não mais esperar as falsas promessas de representantes. A cada dia vamos começar a discutir os problemas entre nós mesmo, nos reunir após as aulas, nos horários vagos, entre nossos companheiros de sala, para chegar o momento em que todos os cursos se reunirão e terão a força social capaz de enfrentar os inimigos que nos causa tanta dor e sofrimento. Chegar o momento da combatividade, da rebeldia que nos dará aquilo que desejamos.

SÓ A LUTA MUDA A VIDA

“Ainda que nos esperem a dor e a morte

Contra o inimigo nos chamas o dever…

De pé companheiro para a batalha

Temos que derrotar a reação!”

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