“Os senhores do engenho querem a governança de volta”, dispara rap GOG

“Não sou a Disneylândia, eu sou os becos das quebras escuras de Ceilândia, as ruas as famílias sem o básico, o fim dos fins de semana trágicos, eu sou favela, sou viela”, foi no Rap que Genivaldo Oliveira Gonçalves se tornou GOG, rapper e escritor nascido em Sobradinho, no Distrito Federal ele levou a vez e voz da periferia para os palcos, mostrando que é impossível ser trabalhador e não se revoltar com as desigualdades.

Sob o intenso sol da Capital federal que o Rapper, nos contou com sua singular “palavra poesia” como enxerga a situação atual de nosso país. Para o Poeta do Rap Nacional, o povo precisa desligar literalmente a TV e se voltar para as organizações populares para deixar de somente “escutar as respostas”.

Confira a entrevista:

No cenário que o nosso país se encontra, a classe trabalhadora é a que mais sofre, para você quais são os principais motivos para o povo se posicionar e lutar contra o golpe?

GOG: A periferia tem que ser contra o golpe porque o golpe não vai beneficiar em nada a periferia, na realidade aqueles que foram os senhores do engenho, os capitães do mato aqueles que sempre oprimiram o povo, querem a governança de volta, eles sempre estiveram no poder, eles continuam sendo os grandes banqueiros, os grandes latifundiários aqueles que subjugam o povo brasileiro. É hora do trabalhador brasileiro suar a camisa, no sentido verdadeiro dessa palavra e não permitir que isso aconteça.

Vamos assistir menos televisão e nos aproximar mais dos sindicatos e instrumentos de classe, vamos conversar mais com o pessoal que tem um histórico de classe, para entendermos oque está acontecendo, fica muito complicado se ainda ficarmos só escutando das pessoas as respostas para nossas duvidas.

Nesta conjuntura quais são as respostas que o povo precisa dar para vencer a onda golpista?

GOG: Existe uma diferença, eles (a direita) vem para a rua, nós somos a rua, o trabalhador é a rua, essa é a diferença crucial entre essas duas classes, eles estão organizados pelo ódio, o que nos organiza é a vontade de trabalhar, de ter melhores dias não só para nós, mas para toda a comunidade, para nossas famílias e hoje nosso lugar mais do que nunca é a rua nos expondo no debate e colocando nossa opinião. Temos que perceber que esses que estão por tomar o poder e que querem tomar a governança do Brasil, querem tomar de assalto o que não ganharam nas urnas de forma democrática.

Em sua análise o que mais motivou a direita a arquitetar o golpe, foi o descontamento com os avanços sociais, ou existem mais coisas?

GOG: Existe um enfrentamento, desde os anos 80 quando nasce CUT, quando nasce CGT, quando nasce o PT, começa-se um debate, e a direita Brasileira, essa classe que se acha melhor que todos os brasileiros eles pegaram e também começaram a se organizar, logo aí nos anos 90 já acontece a flexibilização de alguns sindicatos, sindicatos pelegos, você vê por exemplo o Paulinho da Força, surge nessa época né, a Força Sindical por exemplo surge para contrapor as entidades que realmente são ligadas a classe trabalhador.

É um enfrentamento contra tudo que aconteceu não só nos últimos quinze anos, mas sim contra toda a engrenagem social que nós montamos em praticamente trinta anos.

Por último, em uma possibilidade de consumação do golpe, qual deve ser a resposta da classe trabalhadora?

GOG: Não daremos sossego jamais, porque nós somos de luta, eles são de briga, briga é por uns dias luta é para a vida inteira.

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