Caso Davi corre em segredo de justiça e sem respostas para a pergunta: onde está?; Denunciados trabalham no administrativo

Railton Da Silva

O dia 25 de agosto é de luta e resistência contra os crimes que têm como vítima a população empobrecida dos profundos grotões de Maceió. Davi da Silva, 17 anos, foi abordado por uma guarnição da Polícia Militar de Alagoas e há dois anos perguntamos: Onde está?

Ontem (25) conversamos com a mãe do Davi, dona Maria José da Silva, confira a entrevista.

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Dona Maria José, mãe do Davi da Silva. Crédito: Railton Da Silva

Os quatro militares que abordaram Davi no Conjunto Aprígio Vilela, no Complexo Habitacional do Benedito Bentes, parte alta de Maceió, foram identificados pelo Ministério Público Estadual como: Eudecir Gomes de Lima, Carlos Eduardo Ferreira dos Santos, Victor Rafael Martins da Silva e Nayara Silva de Andrade.

Eles foram denunciados pelo Ministério Público Estadual à justiça alagoana pelos crimes de tortura e ocultação de cadáver. O processo tramita na 14ª Vara Criminal da Capital e corre em “segredo de justiça”. Atualmente, os militares estão no serviço administrativo dentro da corporação.

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Pedro Montenegro. Crédito: Reprodução

O inquérito policial que dá base a acusação – de acordo com advogado Pedro Montenegro, assistência de acusação – é robusto e consistente. “Tecnicamente irrepreensível, colheu todos os indícios e provas contra os acusados, provas testemunhais e periciais”, afirmou Montenegro preservando a ética profissional sem contrariar o segredo de justiça.

“São dois tipos penais do mais abjetos. A tortura pela sua covardia é um crime de lesa humanidade, por isso imprescritível. Já a ocultação de cadáver é uma herança maldita, infelizmente ainda presente na nossa sociedade, da ditadura militar. Foi durante esse período sombrio largamente utilizada no Brasil e na América do sul, criando a figura dos desaparecidos”, explicou Montenegro.

Para a advogada da Criança e do Adolescente e integrante da Comissão dos Direitos

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Paula Simony. Crédito: Reprodução

Humanos da OAB/AL, Paula Simony, as denúncias feitas pelo MPE são de crimes imprescritíveis e que os denunciados responderão “de alguma forma”.

Ainda de acordo com ela, a OAB não é parte no processo do caso Davi da Silva, mas a Comissão de Direitos Humanos acompanha os casos de injustiças e dá celeridade aos trabalhos que estão na justiça para que os casos não sejam esquecidos.

“Estamos acompanhando o processo, esta em fase de diligência, falta só a marcação da sentença, mas a justiça demora um pouco, então nós não deixamos ele cair no esquecimento”, destacou a advogada.

Em relação ao corpo de Davi da Silva ainda não há respostas, “mas se houve esta no processo que corre em segredo de justiça”, assegurou.

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