Reforma Trabalhista: Exploração Do Trabalho Será Levada Ao Limite

A mesa “O futuro do trabalho diante da precarização atual”, no IV Congresso Internacional de Ciências do Trabalho, promovido pela Fundacentro em São Paulo, teve a participação dos professores da Unicamp Ricardo Antunes (sociologia), José Darin Krein (economia) e Márcia Leite (sociologia do trabalho).

Antunes falou que é consenso que o cenário atual no mundo do trabalho é profundamente destrutivo numa escala global, que a partir de 2008 houve um profundo rearranjo produtivo de reorganização do capital, com hegemonia do capital financeiro. “O projeto de lei da terceirização é o protótipo mais trágico no Brasil do que já ocorre em outros países do mundo”, afirmou.

Ele explicou como funciona o “contrato de zero hora”, aplicado no Reino Unido: quem não está no trabalho formal tem disponibilidade perpétua, para quando for chamado pela empresa. Pode esperar dias, semanas, e só é remunerado pelas horas que exercer o serviço. Sem direitos sociais, sem benefícios. “É absolutamente flexível e com precarização total”, exemplifica o professor, traçando os rumos que o Brasil deve chegar pela reforma trabalhista nos termos que está prevista.

“Onde há luta e resistência, os processos de precarização são menores. Se não houver resistência forte, teremos o processo de devastação, de contratos zerados, seremos pejotizados e superexplorados. Seremos todos freelas fixos. Não é possível que não haja luta e resistência frente à isso”, sintetiza.

Já os professores José Darin Krein e Márcia Leite trouxeram dados técnicos sobre emprego e relações de trabalho no cenário capitalista com indicadores brasileiros com forma de explicar porque os direitos adquiridos e consolidados estão em risco neste momento.

“O Brasil teve um período peculiar do capitalismo de 1948 ao fim dos anos 1970, com ganhos de produtividade revertidos em ganhos salariais e benefícios sociais aos trabalhadores”, explicou. Depois da crise dos anos 1980, os ganhos empresariais foram utilizados contra os trabalhadores, que passaram a ser concorrentes entre si com exigência de metas, qualificação e consequente trabalho precário, criando o desemprego estrutural, a insegurança e a diminuição da proteção social.

Darin atribui a deterioração do mercado de trabalho no Brasil às taxas de crescimento econômico negativas no ano de 2015 e 2016, mas com início em 2011, quando os indicadores do mercado de trabalho ainda eram favoráveis. “O que mais impressiona é a velocidade do crescimento do desemprego e da inflação, que se explica pelo comportamento da população em idade ativa que não estava à procura de emprego até 2014”, sintetiza. Ele explicou que a retomada da ofensiva patronal pela pauta da flexibilização trabalhista começou em 2012. E que a questão nova é que atualmente a legalidade não importa, é só mudar a regra.

Marcia Leite encerrou a mesa abordando como funcionam as produções sob o conceito das cadeias globais de valor, de como o Brasil entra no rearranjo mundial. “A melhoria do desempenho econômico das empresas significa difusão de trabalho precário e mal pago, que concentra grande quantidade de trabalhadores”. A professora ilustrou com a situação trabalhista em call centers e nos setores de confecção e elétrico, totalmente terceirizados.

Fonte: Terra sem Males

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