Contra reintegração de posse, professores e alunos da Ufal realizam ato na Vara Agrária

A concentração ocorreu na Praça Visconde de Sinimbú, no Centro de Maceió, e, em caminhada os professores, técnicos e estudantes da UFAL foram até as instalações da Vara Agrária de Alagoas.

Railton Da Silva, Jean Albuquerque e João Victor Cavalcante

A luta contra as reintegrações de posse favoráveis a latifundiários agroexportadores em Alagoas não parou e, pelo que parece, não vai parar. Um grupo de professores, alunos e técnicos da Universidade Federal de Alagoas realizou um ato na Vara Agrária, no Centro de Maceió, onde foi entregue um abaixo assinado ao juiz.

O ato ocorreu na manhã desta quarta-feira, 10, em conjunto com um bloqueio da rodovia BR-101 realizado por trabalhadoras e trabalhadores sem terra ligados ao Movimento Liga de Camponeses Pobres que estão acampados em áreas de conflitos agrárias e na luta nos acampamentos Lajeiro e Conoé 2, nas cidades de Messias e Rio Largo, respectivamente.

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Ato na porta da Vara Agrária de Alagoas. Crédito: Jean Albuquerque/GritonaLuta

Ordem de despejo

As manifestações vão de encontro a um mandado judicial expedido pelo juiz da Vara Agrária Claudemiro Avelino de Souza que vem promovendo decisões a favor dos grupos econômicos detentores do capital que pretende despejar famílias de sem terra para as beiras da rodovia.

Além das ordens de despejos já no prelo e que são alvo de resistência, recentemente, sentenças contra os acampamentos Lajeiro, em Messias, Galho Seco, em Joaquim Gomes, Canoé 2, Rio Largo, e Cachoeira Dantas, em União dos Palmares foram expedidas.

No caso dos acampamentos Lajeiro e Canoé 2, os sem terra receberam a ordem de reintegração de posse, ou melhor, ordem de despejo,  a favor da Usina Utinga Leão, no último dia 27 de julho.

Na decisão, o juiz Claudemiro Avelino determina o prazo de desocupação de dez dia a partir do recebimento, caso contrário, se faça o uso da força policial para retirar as famílias acampadas.

Ameaças

As famílias acampadas em áreas de conflitos sofrem ameaças de perderem os frutos dos esforços empregados para se estabelecem nos locais.

Segundo o professor Arthur Bispo, “os camponeses construíram uma comunidade em que eles tem o que comer, tem uma vida digna e conseguem produzir novas relações de sociabilidade”.

Ainda de acordo com ele, não é com força policial que irá se resolver o problema da desigualdade no Estado, “mas a Reforma Agrária”.

A Universidade e luta pela Reforma Agrária

Para o professor Arthur Bispo, a luta dos professores, alunos e técnicos da Universidade é fundamental para mostrar que o saber produzido na academia não é um saber desinteressado.

“Esse Estado é o estado do Latifúndio. São 500 anos de história em Alagoas. 500 anos do Latifúndio e ele é o grande responsável pelo quadro de miséria, pelo quadro dramático sócio econômico que vive o Estado que tem o maior número de morte de jovens negros da periferia, de desemprego e violência”, destacou.

Ainda de acordo com ele, a Universidade tem que apoiar e lutar pela Reforma Agrária, uma vez que “é dessa forma que se acaba com o problema da miséria em Alagoas”.

Ederson Lima,  estudante da Ufal, considera muito importante estabelecer  o diálogo entre a academia e os interesses da classe trabalhadora. “Fazer valer a luta não só dos camponeses, mas a luta dos nossos pais. Mesmo dentro de um espaço elitizado que é a Universidade, temos uma consciência que para além da formação do indivíduo que se volta pro mercado, a gente está aqui pra quebrar essa ideologia”, disse.

Imagem destacada: Jean Albuquerque

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