O dia a dia dos vendedores ambulantes durante as Olimpíadas

O dois pesos, duas medidas, tão caro ao nosso Judiciário, não ficou de fora das Olimpíadas realizadas na cidade do Rio de Janeiro. Vendedores ambulantes não sabem o que esperar das forças de segurança que patrulham a orla de Copacabana durante estes dias olímpicos. Ora reprimem e confiscam a mercadoria, ora ignoram a presença deles. E ainda há situações em que pedem para se retirarem do calçadão e venderem os produtos na areia da praia.

Filipe Daniel, munido com um isopor, vende bebidas diversas no calçadão de Copacabana. “No primeiro dia (sábado), confiscaram uma parte da minha mercadoria. Levaram as cervejas e deixaram as águas e os refrigerantes”, diz. “Ainda quebraram meu isopor e falaram que estavam levando as cervejas porque iriam fazer um churrasco no domingo”, indigna-se o vendedor. “Eu moro longe, em Belford Roxo, e venho todo dia para cá”, explicando que a renda extra conseguida nesses dias justifica os riscos em se trabalhar no calçadão.

A mesma sensação é compartilhada por Manoel Andrade que tem vivenciado essa indefinição protocolar diariamente. Vendedor ambulante há muitos anos em Copacabana, ele diz que as Olimpíadas têm sido um bom momento para incrementar o faturamento. Entretanto, a insegurança quanto ao tratamento dispensado pela organização dos jogos aos ambulantes tem atrapalhado o dia a dia do vendedor de 65 anos. “Geralmente não deixam a gente trabalhar no calçadão, mas esses últimos dias estão diferentes”, conta.

Manoel Andrade
Manoel Andrade

Nem só os ambulantes estão aproveitando os jogos olímpicos para fazerem um dinheiro extra. Cristiano Sabino tem comparecido para fazer pinturas faciais em quem passa pelo calçadão da Praia de Copacabana. “Fiz o mesmo durante a Copa”, ele diz. “Mas na Copa o pessoal tava gastando mais. Os gringos não estão ajudando”, diverte-se o artista. Ele também conta que parcerias entre ambulantes tem surtido efeito. “Ontem, aproveitava o trabalho dos outros parceiros ambulantes aqui para oferecer as pinturas. Deu bom”, conta, exibindo um largo sorriso no rosto.

Cristiano Sabino
Cristiano Sabino

Também conversamos com Jorge Luís, vendedor de pipoca e batata frita. “A Guarda Municipal, de vez em quando, alivia e pede pra gente ir trabalhar na areia” diz, exemplificando a incerteza quanto ao comportamento das forças de segurança. “Ainda não perdi nada, nenhuma mercadoria” comemora, para então bater em retirada. Avisado por outros ambulantes de que a Guarda Municipal se aproximava, recolheu seus produtos e correu para a areia. “A solidariedade entre nós ambulantes aqui é constante. Um ajuda o outro como pode para também colhermos alguma coisa com esses jogos olímpicos”, explica.

De qualquer maneira, caminhando pelos espaços olímpicos espalhados pela cidade, percebe-se a presença de ambulantes em todos os lugares. Existe, inclusive, ‘tráfico’ de água, souvenirs e outros produtos, carregados em mochilas e oferecidos sem muito alarde. As oportunidades econômicas oferecidas pelas olimpíadas, restritas aos patrocinadores e apoiadores dos eventos, não se coaduna com o espírito que tomou conta da cidade do Rio de Janeiro. Para o carioca, os jogos são da cidade e todos que aqui moram têm o direito de fazer parte da festa.

Fonte: Mídia Ninja

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