Trabalhadores rurais vivem ameaças de despejos a mando de Vara Agrária

Railton Da Silva

Uma enxurrada de despejos é o que pretende promover a Vara Agrária de Alagoas que expediu vários mandados de reintegrações de posses contra trabalhadoras e trabalhadores rurais sem-terra a favor do agronegócio latifundiário.

“Há dez anos estou aqui e do nada terei que deixar o meu roçado e os bichos que crio para só Deus sabe para onde irei”, desabafou Manoel Henrique de 66 anos.

A tristeza deste acampado na cidade de Joaquim Gomes, no acampamento Galho Seco, é a mesma de dezenas de famílias que estão ameaças de despejos no Estado.

Estão no prelo, prontas para serem executadas, os mandados contra os acampamentos: Galho Seco, em Joaquim Gomes, Fazenda Lajeiro, em Messias, Canoé, na cidade de Rio Largo, e Cachoeira Dantas, em União dos Palmares.

Os sem-terra questionam a decisão do juiz que, em alguns casos, teria se mostrado ao lado dos trabalhadores, mas “ele mesmo reconheceu quando a gente foi para uma audiência na Vara Agrária que tem uma pessoa interessada na fazenda e que desconfia da forma de enriquecimento dela e o estranho é que ele concedeu o despejo”, desabafou Valmir, da coordenação do acampamento Galho Seco.

O Grito na Luta tentou contato com o magistrado, por meio do telefone pessoal, mas sem sucesso.

O trabalho na roça

“Me acordo todos os dias ainda antes do sol nascer e vou pro meu roçado, lá tenho banana, macaxeira, batata e tudo que você imaginar para o meu sustento e o da minha família que não depende de nenhum patrão ladrão para roubar o que é nosso”, destacou Maria Cristina da Silva, 35 anos, trabalhadora rural.

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Almoço coletivo no Acampamento Galho Seco, em Joaquim Gomes. Crédito: Railton Da Silva

O Grito na Luta esteve no acampamento Galho Seco e conversou com os trabalhadores que estão sobre forte ameaças de despejos.

De acordo com a direção do MLST, que acompanha esse acampamento, as negociações com o Incra não avançaram e, de acordo com Antônio Messias, o Iteral esta a frente das negociações.

Tentamos contato com a assessoria dos demais movimentos que acompanham as outras áreas de despejo, mas até o fechamento deste material não obtivemos sucesso.

Escoamento da produção

Os alimentos produzidos no Acampamento Galho Seco são comercializados nas feiras livres das cidade de Joaquim Gomes e Flexeiras.

De acordo com Valmir, da coordenação do acampamento, quinzenalmente o excedente da produção são comercializados na capital.

“A principal intenção é que os alimentos sejam consumidos pelas próprias famílias, mas o excedentes são vendidos nas feiras livres e principalmente no bairro do Canaã, em Maceió”, destacou.

Outra forma de escoar os alimentos são por meio das feiras da Reforma Agrária, a exemplo da Feira Camponesa, que será organizada entre os dias 10 a 13 no bairro do Prado. Esta edição é organizada pela CPT.

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