Unidade Popular faz aliança com PSOL e apresenta pré-candidatura de Magno Francisco para vice nas eleições municipais

Jean Albuquerque

A Unidade Popular – ainda em processo de legalização junto ao TSE – apresentou o nome de Magno Francisco  para vice na pré-candidatura na chapa do PSOL na corrida para as eleições municipais de 2016.

A principal cadeira do executivo no Estado, Maceió, é disputada pelos grande caciques da política alagoana, uma vez que concentra na capital grupos oligárquicos políticos que vem se mantendo no poder por gerações e controlando os meios de produção.

Foi anunciado nesta segunda-feira, dia 1º, a pré-candidatura de Gustavo Pessoa à prefeitura de Maceió pelo PSOL e numa aliança com a Unidade Popular que apresentou o nome de Magno Francisco.

A apresentação é resultado da parceria entre o PSOL e o novo partido em processo de legalização, Unidade Popular. A UP surge depois das jornadas de Junho, em 2013 e da necessidade de construir no país uma legenda que defenda as bandeiras históricas do povo e a construção do socialismo.

Confira entrevista com o pré candidato a vice, Magno pelo Psol, em Maceió.

Grito na Luta  – explica um pouco do porquê da aliança com o PSOL:

Magno Francisco – O PSOL é um partido que, generosamente, permitiu uma filiação democrática para que a UP pudesse participar desse processo eleitoral mesmo sem termos o registro legal. O PSOL acerta ao apresentar o nome do Gustavo Pessoa como pré candidato a prefeito, pois é uma pessoa que desde muito jovem dedicou sua vida a atuação nos movimentos sociais, que tem uma grande sensibilidade para compreender as contradições da cidade e uma imensa capacidade de ouvir e apresentar propostas para o povo. Temos avançado num diálogo rico e produtivo nessas últimas semanas, para apresentar a toda sociedade um programa capaz de transformar a cidade de Maceió.

GL – Fala um pouco sobre a Unidade Popular.

I –  A Unidade Popular é um partido em processo de legalização. Compreendemos que é necessário construir um partido no Brasil capaz de resgatar a esperança da classe trabalhadora, defender as bandeiras históricas do nosso povo e construir o socialismo. As jornadas de Junho, em 2013, revelaram a necessidade de uma nova organização política e a falência da social democracia, expressada no Brasil pelo projeto petista.

Lula e Dilma foram incapazes de realizar o necessário enfrentamento ao capital, pelo contrário, apostaram na política da conciliação de classes. O problema é que é impossível governar para os trabalhadores e para os ricos.

O resultado disso é que o governo petista traiu os interesses da classe trabalhadora, abandonou a reforma agrária,  a reforma urbana e a democratização da meios de comunicação, promoveu privatizações, atacou os direitos dos trabalhadores, a exemplo do seguro desemprego, impôs o fator previdenciário, e diante da crise econômica, promoveu um ajuste fiscal, retirando dinheiro das áreas sociais para entregar aos banqueiros.

Enquanto isso os ricos, banqueiros, latifundiários e os donos das grandes fabricas e empresas, continuam ficando cada dia mais ricos. Mesmo no momento de crise, vimos mais isenções e incentivos, enquanto os trabalhadores sofrem com o custo de vida, desemprego e baixos salários.

Mesmo assim, os ricos querem retirar ainda mais do povo pobre. Basta ver que o Bolsa Família, principal programa social do governo, representa apenas 0,25% do orçamento brasileiro, enquanto se gasta 42% com juros da dívida pública.

Há uma carência na política brasileira  de um partido que tenha um objetivo claro, de transformação social e disposto a levar a frente essa luta.  Ao mesmo tempo é preciso ter penetração nas camadas populares, que seja capaz de unir e mobilizar o povo para grandes mudanças. É por isso que criamos a Unidade Popular, após longo e intenso debate com vários segmentos da sociedade em todo o país, sindicatos, associação de moradores e movimentos sociais. Esse processo de legalização de um partido não é simples. São

necessárias 500 mil assinaturas no Brasil no prazo de dois anos para obter-se a legalização. Estamos confiantes porque temos uma corajosa e combativa militância, e mesmo sem o podre dinheiro da corrupção nem apoio dos ricos, vamos sair vitoriosos nessa tarefa.

GL – Quais as propostas?

I –  A  Unidade Popular compreende que para acabar com o sofrimento e a exploração em que vive o nosso povo, e portanto construir a felicidade que tanto desejamos é necessário a superação do capitalismo. Defendemos uma revolução que coloque o poder nas mãos do povo, que socialize os meios de produção, que distribua a riqueza com os trabalhadores e que coloque na cadeia todos os corruptos e exploradores.

Entendemos que para alcançar essa nova sociedade livre e justa é necessário unir o povo, mobilizar os trabalhadores, conquistar a sua consciência para a necessidade de superação da atual ordem política e econômica.

Esse caminho passa pela união do povo em torno de um programa capaz de retirar o Brasil da atual situação. Dentre as propostas que temos construído, queria destacar cinco pontos:

Nacionalização dos bancos: O controle da nossa economia não pode ficar nas mãos do capital financeiro e dos capitalistas internacionais; Reforma urbana: É necessário acabar com o deficit habitacional que assola milhões de famílias em nosso país, construir moradias populares e pensar as cidades do ponto de vista dos que mais necessitam e não dos interesses das empreiteiras e da burguesia; Reforma Agrária: Essa é uma condição para acabar com a fome no Brasil e a baratear o preço dos alimentos.

Como sabemos, o latifúndio produz fundamentalmente para a exportação, a comida que chega a nossa mesa vem da agricultura familiar. Portanto é preciso fortalecer a agricultura familiar e eliminar o latifúndio. O Brasil precisa passar por um processo de industrialização, continuar mantendo a nossa economia dependente de commodities é manter o Brasil sem soberania econômica.

Reforma da mídia: É necessário democratizar a comunicação no Brasil. É inadmissível que algumas famílias controlem a informação de um país. Isso é a expressão mais profunda da ausência de democracia numa sociedade capitalista.

Auditoria da dívida pública: O Brasil entrega anualmente mais de 40% das suas riquezas produzidas ao banqueiros. É preciso realizar imediatamente a auditoria da dívida pública. Assim, vamos identificar que na verdade são os bancos que devem ao povo brasileiro. Com esse montante de recursos resolveríamos todos os problemas estruturais do país.

GL – É mais um partido para disputar as eleições?

I – Para a Unidade Popular política é defender os interesses dos trabalhadores, assim, atuamos nos sindicatos, bairros, entre os camponeses, estudantes, nos movimentos sociais. Política para nós é mobilização popular. E claro que o momento das eleições permite o debate aberto de ideias sobre os rumos da sociedade, e não vamos deixar de participar delas. Um mandato de vereador, deputado, prefeito e governador, pode ser um instrumento de mobilização popular em direção a mudanças profundas na sociedade.

Queremos a legalização da UP para fortalecer essas lutas, ocupar todos os espaços possíveis para que possamos mudar a vida do nosso povo e do país. Apresentar um projeto político de transformação, de mudanças reais, de revolução, exige de fazer presente no dia a dia da sociedade.

GL – Tem propostas que diferem dos outros partidos que já estão na política há mais tempo?

I – Os partidos que aí estão, no geral, são grandes estruturas para disputar eleições. A UP quer organizar uma grande estrutura para apoiar a luta dos trabalhadores, das mulheres, da juventude e do povo pobre desse país.

A Unidade Popular apresenta um programa baseado nas bandeiras históricas do povo, capaz de salvar o Brasil da crise e ter um profundo enraizamento nas camadas mais pobres.

GL – O que difere dos demais?

I – Duas questões centrais. Queremos modificar a estrutura de sociedade que vivemos. A presença do poder econômico não interfere apenas nas eleições. Ele diz respeito ao nosso dia-a-dia, as marcas que compramos, as escolhas que fazemos. É possível viver em mundo em que a sociedade não seja comandada pelo dinheiro, e a vida de quem tem dinheiro não valha mais daquele que não tem, do trabalhador assalariado? Para nós que estamos construindo a UP sim. Queremos novos valores, e lutamos por ele.

A segunda questão é que por ser um partido em formação queremos convocar as pessoas comuns, participantes de movimentos sociais, ou que se indignam com os problemas que vivemos para construir esse projeto, a Unidade Popular pelo Socialismo.

Imagem Destacada: Magno Francisco / Unidade Popular

 

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